Declaração institucional da Comissão Política Nacional do CDS-PP sobre os 25 anos da queda do muro de Berlim


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Declaração institucional da Comissão Política Nacional do CDS-PP sobre os 25 anos da queda do muro de Berlim

Há 25 anos, numa noite de Novembro, o mundo mudou. Numa reacção em cadeia, a cidade de Berlim, a Alemanha, a Europa, e mesmo o mundo, começaram a deixar de estar divididos em dois blocos: abriram as portas, caiu o muro e desapareceu a cortina de ferro que separava um continente e dividia o mundo na chamada guerra fria.

Sabemos que a mudança não começou nessa noite, nem a liberdade chegou imediatamente a todos os povos que ainda viviam sob o totalitarismo comunista, mas 9 de Novembro de 1989 é uma data de fronteira na história contemporânea: nessa noite o mapa da Europa mudou e, desta vez, pela força espontânea de mulheres e homens que queriam ser livres e desejavam uma paz sem medo e um regime sem opressão. O Ocidente ou o Leste passaram a ser termos geográficos e não ideológicos.

A mudança tinha começado antes. Recordamos o extraordinário contributo para a liberdade dado por personalidades como o Papa João Paulo II, que exortou os povos a não terem medo; por Gorbachev, o primeiro dirigente da era soviética a compreender e tirar consequências do colapso do sistema comunista; pelo Presidente Reagan, que corajosamente pediu ao líder soviético para deitar abaixo aquele muro; pela Primeira-ministra Margaret Tatcher, não apenas pela sua firmeza, mas também pela lucidez com que percebeu as mudanças em Moscovo; pelos operários de Gdansk e pelos intelectuais e jovens de Praga e de Budapeste e de tantas outras capitais, que arriscaram tudo por um mundo melhor; e pelos dissidentes que deram luz à esperança e foram a voz tribunícia da denúncia. A todas e a todos – bem como às mulheres e homens que perderam a vida na luta desesperada para atravessar o muro – prestamos a nossa profunda homenagem.

A reunificação de famílias, de Berlim, da Alemanha e, depois, da Europa, marcou o fim da terrível experiência totalitária comunista. Nunca esqueceremos essas imagens do triunfo da liberdade e do humanismo sobre o Estado totalitário. Lembramos que a Europa como projecto de paz nasce dos destroços da guerra e da luta vital contra as duas ideologias totalitárias que marcaram tragicamente o século XX dos europeus: o nazismo e o comunismo.

O CDS-PP, que durante anos tinha combatido a propaganda soviética e denunciado a repressão e a miséria que caracterizavam a vida no Leste, celebrou a liberdade que tinha atravessado os postos de controlo, e começava a espalhar-se na Europa.

Hoje, recordamos o 9 de Novembro, precisamente a data em que, sem postos de controlo ou passaportes, a Liberdade chegou a milhões de famílias. Recordamos ainda que nenhum povo que se libertou do comunismo alguma vez expressou democraticamente qualquer saudade ou vontade de regressar a esse regime brutal e desumano.

 

Paulo Portas

Presidente da Comissão Política Nacional

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