AR/Censura: Um sexto de um terço dos votos não faz uma revolução – Portas

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, apontou hoje os sucessivos resultados minoritários do PCP em eleições, incluindo nas últimas europeias, para alegar que os comunistas não têm representatividade para pedir o derrube do Governo.

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Lisboa, 30 mai – O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, apontou hoje os sucessivos resultados minoritários do PCP em eleições, incluindo nas últimas europeias, para alegar que os comunistas não têm representatividade para pedir o derrube do Governo.

“Felicitámos democraticamente o PCP pelo seu progresso relativo no domingo passado, mas não deixa de ser ligeiramente exagerado pretender que 12% apenas do terço de portugueses que foram votar chega para justificar uma iminência de rutura. Ou, para usar linguagem que vos é cara: um sexto de um terço dos votos não faz uma revolução, não estão reunidas as condições objetivas”, declarou Paulo Portas. “Só por manifesta manipulação os votos do PCP somariam à abstenção e aos votos brancos e nulos”, acrescentou.

No encerramento da moção de censura do PCP ao executivo PSD/CDS-PP, na Assembleia da República, o vice-primeiro-ministro questionou a “peculiar análise” que os comunistas fazem da legitimidade dos governos dos últimos 37 anos, mas também relativizou a importância que atribuem aos instrumentos parlamentares: “Não é aqui que a luta se faz, embora possa ser aqui que a luta se diz”.

Em resposta ao “desprezo” dos comunistas pelos últimos “37 anos de política de direita”, Paulo Portas sugeriu que para o PCP “o último governo democrático” terá sido o de Vasco Gonçalves – “não por acaso, um Governo que nunca recebeu legitimidade eleitoral direta”.

“Na vossa peculiar análise da história, o povo português, ao longo dos últimos 37 anos, terá sido um soberano alienado, incapaz de alcançar os amanhãs que cantam”, prosseguiu, concluindo: “É assim que o PCP resolve conceptualmente esse pequeno detalhe que é ter sido sempre derrotado nas urnas e minoria nesta casa”.

Paulo Portas defendeu que os eleitores sabem distinguir entre eleições europeias, autárquicas e legislativas e que só nestas últimas se mede “a legitimidade de um Governo”.

Quanto aos resultados das europeias de domingo, considerou que houve “uma devastadora abstenção que penalizou os partidos do arco da governabilidade como um todo” e cujas causas é preciso procurar entender.

“Sendo que os partidos da maioria perderam e o maior partido da oposição, no momento mais difícil para o Governo, ganhou, mas por tão pouco que logo se abriram ansiedades que seria deselegante estar a comentar aqui”, completou, numa alusão ao processo em curso de disputa de liderança no PS entre o atual secretário-geral, António José Seguro, e António Costa.

Relativamente à situação nacional, o vice-primeiro-ministro disse existirem condições para que “a partir de 1 de janeiro” os salários sejam “progressivamente” recuperados e as pensões “substancialmente” repostas.

O também presidente do CDS-PP fez questão de referir que o Governo abriu “em sede de concertação social uma negociação séria para a melhoria do salário mínimo nacional congelado desde o anterior executivo”.

Portas comparou o país de 2014 com o de 2013 – “está melhor” – e prognosticou que “estará melhor” ainda em 2015, o que “tornará a função do PCP mais modesta e menos relevante”.

“Num ciclo de maior crescimento económico e de mais acentuada redução do desemprego, o PCP não medra, estanca e retrocede, é o que diz a história da nossa sociologia eleitoral”, sustentou.

IEL // SMA

Noticias Ao Minuto/Lusa

 

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