Mesquita Nunes Governo quer melhores estatísticas no Turismo e recusa aposta no luxo


O secretário de Estado do Turismo disse hoje que é necessário ter mais e melhor informação estatística sobre o setor, ao mesmo tempo que recusou que Portugal deva especializar-se no segmento de luxo, como tem sido defendido.

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Na entrega de prémios Publituris, que aconteceu hoje no âmbito da inauguração da BTL – Feira Internacional do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, disse que a informação que é disponibilizada “sobre a procura é reduzida, que o tratamento da informação estatística e de planeamento é deficiente e que é insuficiente a recolha de informação” que se faz atualmente.

“Esse foi, aliás, um dos primeiros aspetos que o novo presidente do Turismo de Portugal identificou, com preocupação, na primeira reunião que tivemos”, disse, acrescentando que João Cotrim de Figueiredo tem todo o seu “apoio político para apresentar ao setor alterações organizacionais e metodológicas para se ter no futuro mais e melhor informação”.

Adolfo Mesquita Nunes garante ser-lhe “indiferente que os resultados finais dessas alterações conduzam a conclusões menos otimistas do que aquelas que são retiradas dos dados” atuais.

“Não estou aqui para fingir números, estou aqui para dotar o setor de todas as ferramentas para poder crescer e é hora de isso suceder”, afirmou.

Sobre as três linhas estratégicas de atuação do Governo para o setor, que o secretário de Estado já tinha anunciado no ano passado, estas mantêm-se: “liberalização, financiamento, promoção”.

Acerca da estratégia a seguir, o governante abordou aquilo que considera ser um equívoco em alguns discursos que ouve: “O discurso de que nos deveríamos especializar em turismo de luxo”.

“O que é que se espera que eu faça à oferta instalada, que não é de luxo mas que é de qualidade? Manda-se fechar? Manda-se demolir? Em segundo lugar, o tal turismo de luxo – limpo o país de todo o resto – garante os nove mil milhões de euros de receitas que o setor deu? E garante os 8% de emprego que o setor hoje dá ao país? Dá o mesmo contributo para o PIB [Produto Interno Bruto]?”, questionou a plateia composta por agentes de todas as áreas do turismo.

“Não estou na disposição de ter um setor mais pequeno para alguns terem rendimentos maiores, nem estou na disposição de ajudar a gerar menos emprego para alguns terem mais proveitos. O que quero é um setor do turismo a liderar nas exportações, no crescimento do PIB, na criação de emprego, no valor acrescentado para a economia nacional. É esta liderança que abre as portas do financiamento, que gera investimento, que traz procura e que vos garante sustentabilidade e a liderança”, sublinhou o secretário de Estado.

E, para Mesquita Nunes, isso só acontece liberalizando o setor para que este se torne “competitivo num mundo em que apenas os melhores podem triunfar”, criando “condições de sustentabilidade que possam ajudar as empresas viáveis do setor a enfrentar problemas conjunturais” e dotando o setor de “uma estratégia de promoção adaptada aos nossos dias e de apoio às empresas”.

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