CDS-PP desafia CGTP a assumir consequências das greves


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O CDS-PP quer saber se as sucessivas greves têm contribuído para a perda de credibilidade do serviço prestado pelas empresas públicas de transportes, o que poderá estar a levar à fuga de utentes para empresas privadas, e se as sucessivas greves poderão estar a ajudar empresas privadas a aumentarem os seus lucros, e se, no limite, poderão mesmo colocar em causa o serviço público prestado pelas empresas públicas de transportes.

Numa pergunta enviada ao Ministério da Economia e do Emprego, os deputados do CDS-PP querem também saber, desde o início de 2013 até à data, quanto já custaram as greves a cada uma das empresas públicas de transportes.

Em declarações aos jornalistas, o deputado e vice-presidente da bancada democrata-cristã, Hélder Amaral, manifestou a sua preocupação com o equilíbrio financeiro a que as empresas se tinham comprometido alcançar, uma vez que “esse objetivo poderá ser afetado com este número de greves”, e ainda com o facto de “estar a ser posto em causa o serviço público que, pelos vistos, é aquilo que os grevistas querem proteger”.

Hélder Amaral recordou que os utilizadores dos transportes públicos têm feito um “esforço” ao pagar mais por um transporte a que, no fundo, não têm acesso. “Houve um conjunto de portugueses que compraram o passe social, porque é a única forma de conseguirem ter direito à mobilidade, e não conseguem exercer esse direito”, disse, considerando que se está “perante um ataque ao próprio serviço público”.

Para o deputado do CDS-PP, estas greves também colocam “em causa o direito ao trabalho”, dado haver um conjunto de portugueses que sistematicamente não consegue aceder ao seu trabalho e, com isso, pode até por em causa o seu emprego.

“A CGTP tem de perceber que está não só a pôr trabalhadores contra trabalhadores, como está a pôr em causa o direito ao trabalho também”, disse Hélder Amaral, acrescentando que tanto a CGTP como os grevistas estão “claramente a ser os maiores aliados dos privados”.

A título de exemplo, o presidente da Rede Nacional Expressos admitiu há relativamente pouco tempo que a operação da sua empresa tem vindo a aumentar devido às greves dos transportes, nomeadamente devido às interrupções da CP, sendo que em cada dia de greve tem um aumento de 50% da procura dos seus serviços. “Há aqui uma transferência clara de utentes para o setor privado, fragilizando o setor público e fortalecendo as privadas”.

Tendo tudo isto em conta, o deputado do CDS-PP pediu “bom senso, para que o exercício deste direito não ponha em causa a própria existência das empresas públicas de transporte”.

Na pergunta enviada ao Governo, o CDS-PP lembra que o Executivo conseguiu equilibrar operacionalmente as empresas públicas de transportes, tendo sido necessário, um esforço adicional por parte dos portugueses que passaram a pagar bilhetes relativamente mais caros, mas que para que esse equilíbrio operacional se mantenha e para que o esforço dos portugueses não seja em vão, é necessário que o serviço seja disponibilizado diariamente, ou seja, com regularidade e não de forma intermitente.

As sucessivas greves nas empresas públicas de transportes têm, portanto, não só colocado em risco a manutenção do equilíbrio operacional, como têm prejudicado muitos portugueses que ainda acreditam no serviço público prestado por aquelas empresas.

Um exemplo claro de sucessivas greves é a CP: De acordo com a própria empresa, só em 2012 foram suprimidos 30.445 comboios por motivos de greve, tendo o número de passageiros diminuído 11,4%, a que não será alheio, de acordo com a própria CP, o elevado número de greves que ocorreram nesse ano. Recorde-se que já em Outubro de 2012, a própria porta-voz da CP havia admitido que desde o início de 2012, até essa data, a CP não tinha tido “um único dia de calendário que não fosse afetado por um qualquer pré-aviso de greve”

Mais recentemente, já este ano, o Governo adiantou que só entre 1 de janeiro de 2013 e 12 de fevereiro, as greves na CP custaram 2,2 milhões de euros tendo sido prejudicada, não só a própria empresa, como muitos portugueses que pretendiam usufruir do serviço público.

Existem fortes indícios que devido à intermitência do serviço prestado pela CP, muitos utilizadores estão a optar por meios de transporte alternativos, colocando em causa a sustentabilidade desta empresa.

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