Médio Oriente Conflito sírio é a “maior tragédia” do início do século XXI, alerta Portas


O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, disse, esta terça-feira, em Bruxelas que o conflito sírio é a maior tragédia do século XXI e que compromete a comunidade internacional.

MNE _ Paulo Portas

Após o encontro em Bruxelas entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO e do encontro com o chefe da diplomacia russa, Paulo Portas disse aos jornalistas que, durante o almoço com Serguei Lavrov, a Síria foi o “tema mais tratado” e voltou a criticar a comunidade internacional por ter permitido “arrastar o problema”.

“É evidente que o problema da Síria transcende as fronteiras da Síria e isso não facilita a resolução do problema”, disse Paulo Portas, acrescentando que a as consequências do conflito “levam a um certo grau de internacionalização” daquela que é, afirmou, a “maior tragédia” política do início do século XXI.

“Já são perto de 40 mil mortos, cerca de 500 mil refugiados, cerca de um milhão e meio de famílias deslocadas e parece um massacre sem fim”, disse Portas, que explicou o carácter defensivo do sistema de mísseis que vai ser instalado na zona de fronteira entre da Turquia com a Síria.

“A Turquia está a ser directamente afectada por este conflito. No quadro da Aliança Atlântica está em cima da mesa um sistema Patriot de uso defensivo que terá controlo da Aliança num plano de contingência e dentro da regra de que os aliados protegem aquele que está sob ameaça”, disse Portas, que vai voltar a reunir-se com os ministros dos negócios estrangeiros da NATO durante um jantar em Bruxelas.

“Esta noite vai discutir-se um conjunto de temas, não apenas do Médio Oriente, mas também do Mediterrâneo e do Magrebe”, afirmou.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros português, “Portugal tem muita experiência a sul quer da União Europeia quer para lá da Aliança Euro-Atlântica”.

Paulo Portas defende que, por um lado, existem fenómenos muito interessantes de transformação das sociedades árabes em democracias mais participadas, “com a instabilidade que é própria de processos que conheceram uma natureza revolucionária”, e que, por outro lado, “existe no continente africano um potencial de desenvolvimento” muito grande, mas ao mesmo tempo uma vulnerabilidade em certas regiões a “tráficos de armas e tráficos de droga que podem vir a financiar o terrorismo e que colocam problemas de segurança muito sérios”.

“Faremos uma avaliação global de todas essas questões de segurança”, explicou Portas que referiu que a situação entre Israel e a Palestina também deve ser discutida.

“É evidente que o ponto crítico no Médio Oriente é passarmos da situação de impasse para uma situação que requer envergadura, liderança e vontade de chegar a uma situação de dois estados – Israel e Palestina – que devem poder viver em segurança e em paz, lado a lado no futuro. Fora do diálogo e da negociação nada é bom para o futuro”, disse ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros.
 
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