Portas defende prudência e responsabilidade dos partidos do arco da governabilidade em carta aos militantes


 

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, enviou uma carta aos militantes onde defende que os partidos do “arco da governabilidade” devem ter “prudência e responsabilidade” perante o agravamento da “incerteza externa”, defendendo “diálogo privilegiado” com o PS, ao qual exige ponderação.

Na missiva, onde começa por lembrar o 38.º aniversário do partido, assinalado no domingo nos Açores, “como sinal de apoio ao CDS açoriano e ao seu presidente”, Paulo Portas diz que quer o partido a “refletir” sobre o “ciclo-pós assistência externa”, devendo o próximo congresso “centrar-se nesse tema e mostrar um CDS marcadamente reformador”.

Segundo o líder do CDS, “o nível de impostos já atingiu o seu limite”, e afirma que “praticamente todas as medidas fiscais tomadas” resultam do “cumprimento de obrigações do acordo externo”. Paulo Portas defende ainda uma “política fiscal seletiva, competitiva e favorável à família, à empresa e ao trabalho” para o período pós ´troika’.

Apesar de considerar que Portugal tem hoje “credibilidade” externa e descolou da “identificação” com a Grécia, Paulo Portas reconhece que “o sucesso” do país depende também do que acontece aos outros, nomeadamente na zona euro. “No momento em que se agrava a pressão sobre países como a Espanha ou a Grécia, os partidos do “arco da governabilidade” em Portugal deviam, mais do que nunca, agir com a maior prudência e responsabilidade”, afirma na carta enviada aos militantes.

Para Paulo Portas, “quanto maior for a incerteza externa, maior deve ser a nossa coesão interna. Quanto mais preocupantes pareçam as notícias da frente externa, mais solidez devemos revelar na frente interna. Por essa razão, tenho defendido e continuarei a defender o diálogo privilegiado com o maior partido da oposição e a procura sistemática do consenso com os parceiros sociais”.

O presidente do partido reitera ainda o apelo a que “o Partido Socialista pondere melhor a tentação de fazer oposição a qualquer preço”, lembrando que o “triunvirato” sobre o qual os socialistas dirigem a sua oposição “entrou em Portugal pela sua mão”. Por outro lado, o presidente do CDS considera “essencial” criar “todas as condições políticas e económicas para que a recessão, desde há muito prevista para 2012, dê lugar, em 2013, a uma viragem que signifique o início do crescimento económico” e quer o partido a pensar o país depois da ´troika’, sublinhando que pedi-lo atualmente é um “sinal” da sua “esperança” no futuro.

“Há um dia seguinte à crise. Há um ciclo pós-assistência externa. Há um país para além da transitória restrição de soberania a que tenho chamado “protetorado”. Quero o CDS a refletir sobre esse Portugal que vale a pena. Penso, aliás, que o próximo Congresso do partido deve centrar-se nesse tema e mostrar um CDS marcadamente reformador e decisivo nessa transformação”, argumenta Paulo Portas.

Referindo-se ao acórdão do Tribunal Constitucional que determinou a inconstitucionalidade dos cortes nos 13.º e 14.º meses do setor público e aposentados, Paulo Portas diz que foi colocado “um problema suplementar” que “o país dispensava”.

Na carta, Paulo Portas enumera o cumprimento de promessas eleitorais no seio de um Governo do qual o CDS decidiu fazer parte “por patriotismo”, elogiando o valor da estabilidade. “A verdade é que a estabilidade política, em Portugal, passa muito pelo CDS”, afirma.

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