CDS acusa Teixeira dos Santos de ter faltado à verdade

O CDS-PP acusou o ex-ministro de ter faltado à verdade ao atribuir à CGD a decisão de pagar suplementos remuneratórios a três administradores do BPN.

A posição dos democratas-cristãos foi transmitida pelo deputado João Almeida e surgiu na sequência de declarações feitas hoje (01.06.12) pelo presidente da CGD, Faria de Oliveira, durante a comissão de inquérito sobre a nacionalização e reprivatização do BPN.

Na terça-feira, na comissão de inquérito, Teixeira dos Santos atribuiu à CGD a responsabilidade por três dos seus administradores (Francisco Bandeira, Norberto Rosa e Paulo Cardoso) receberem suplementos remuneratórios pelas suas funções na administração do BPN nacionalizado.

Hoje, o presidente da CGD leu uma ata da primeira Assembleia Geral do BPN após a nacionalização do banco para demonstrar que essa decisão de pagar suplementos remuneratórios “foi do accionista”, ou seja, do anterior Governo socialista.

Perante esta contradição, o deputado do CDS-PP João Almeida, que terça-feira questionara o ex-ministro socialista sobre esta matéria, concluiu que a resposta que recebeu de Teixeira dos Santos “teve um prazo de validade de três dias”.

“Teixeira dos Santos disse que os acréscimos de vencimentos concedidos a administradores e directores do BPN, que custaram aos contribuintes quatro milhões de euros, eram da exclusiva responsabilidade da CGD, mas hoje, através de prova documental, ficou a saber-se que essa deliberação foi da responsabilidade do Estado Português, pelo representante do então ministro das Finanças”, apontou o dirigente do CDS.

Para João Almeida, a comissão de inquérito está perante um facto “grave”.

“O CDS regista que é falso aquilo que disse Teixeira dos Santos sobre os acréscimos de vencimentos pagos a administradores e directores do BPN. Ao contrário do que afirmou então Teixeira do Santos, o CDS não levantou esta questão por populismo. Levantou esta questão porque tinha a convicção de que era fundamental esclarecê-la e porque o que Teixeira dos Santos estava a dizer não correspondia à verdade”, declarou.

Interrogado se o CDS tenciona requerer nova vinda do ex-ministro socialista à comissão de inquérito, João Almeida afastou essa hipótese.

“Ouvir o ex-ministro das Finanças não adianta neste caso. Já ouvimos uma vez o ex-ministro das Finanças e o que ele disse não foi a verdade. Hoje temos prova documental daquilo que é a verdade”, respondeu.

Económico com Lusa  

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