Diplomacia económica: Seminário diplomático apresenta novo modelo com economia mundial em tempos de incerteza


O Ministério dos Negócios Estrangeiros organiza na quarta-feira o Seminário Diplomático, onde, perante os embaixadores portugueses o ministro Paulo Portas deverá reiterar a importância da diplomacia económica, que o cenário de incerteza económica europeia vem dificultar.

Com o Governo a apostar nas exportações, no turismo e na captação de investimento estrangeiro para compensar a contração económica em Portugal, o trabalho dos diplomatas na máquina das relações económicas com o estrangeiro ganha maior relevo, para atrair para a economia portuguesa os recursos económicos que faltam dentro de casa, trabalho que Paulo Portas tem vindo a destacar.

“A diplomacia económica faz parte de uma política de contra-ciclo, que dá resistência à economia portuguesa” através das empresas que se internacionalizam, disse recentemente o ministro dos Negócios Estrangeiros, num encontro com empresários portugueses no Qatar.

“Cada embaixada portuguesa, cada posto consular, a partir de agora, também serão avaliados pelas oportunidades de negócio que conseguem facilitar às empresas portuguesas”, disse ainda Paulo Portas, na ocasião.

No entanto, as exportações estão ainda muito viradas para a Europa – cerca de três quartos das vendas portuguesas ao exterior – e um dos principais desafios da diplomacia económica portuguesa será mudar a agulha dos mercados de exportação.

Espanha, Alemanha e França continuam a ser os maiores mercados para as exportações portuguesas que, junto com o Reino Unido (o quinto maior destino), representam cerca de metade vendas portuguesas ao exterior.

Se, da Alemanha, as notícias no final de 2011 foram positivas, com o emprego em máximos históricos e os índices de consumo a atingir o nível mais elevado da última década, em Espanha, França e Reino Unido estão em marcha medidas de austeridade que deverão retirar capacidade de compra.

Para a economia, do resto do mundo, as estatísticas mais recentes também são fonte de poucas alegrias. De acordo com previsões do instituo de investigação The Conference Board, o crescimento económico mundial para 2012 deverá ser de 3,2 por cento, pouco acima do valor para o período entre 1980 e 1995, mas ainda assim 1,3 pontos percentuais em comparação com o período entre 1995 e 2008.

Deste crescimento, dizem as mesmas previsões, as economias avançadas deverão apenas crescer 1,3 por cento, em média, enquanto cada vez mais economistas acreditam que a zona euro deverá continuar em recessão até ao segundo trimestre de 2012 e não deverá sequer crescer este ano.

É neste contexto que Paulo Portas deverá explicar na quarta-feira aos embaixadores o que pretende com a diplomacia económica, agora que o ministério passou a ter a tutela do AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

“Nós acabámos de fazer uma ‘revolução tranquila’ quanto à diplomacia económica”, disse Paulo Portas no Qatar, acrescentando que a “diplomacia política e a diplomacia institucional não desaparecem mas são acompanhadas pela diplomacia empresarial e pela diplomacia de negócios”.

O Seminário Diplomático conta ainda com a participação do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Alain Juppé.

 03 Janeiro 2012

CDS-PP/Lusa

 

 
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